Vivo num bar, no teu bar. Um bar que não é na verdade teu, mas chamo-o assim porque és a razão de eu lá estar. Se fosses uma garrafa serias aquela, a especial, a que fascina por estar sempre fechada, por estar ali sempre à vista à distância de um sopro, mas sempre distante. Aquela que não é preciso saber como é a sua essência para desejar, mas ao mesmo tempo desejar conhecer a sua essência por puro prazer.
Mas se tu és uma garrafa eu sou um copo, um vulgar copo. Transparente, fácil de usar. Demasiado fácil. Sujeito às vontades de todos e tendo como sua uma única vontade, partilhar o teu sopro, a tua essência nem que seja por breves instantes. Acreditando que a sorte fará que o vulgar e o especial sejam por momentos um só, mesmo que depois nunca mais o voltem a ser. Porque mesmo que depois continue transparente e usado por todos, poderei partir em mil os fragmentos da minha existência vulgar, porque neles estará reflectido o que de mais especial há em ti.
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