quarta-feira, dezembro 27, 2006

O fim da festa

Há algo nas festas que me amargura, talvez por serem um momento de felicidade que tem um fim marcado. O fim da festa, o passar da euforia ao controlo, do momento arrebatador ao silêncio desolador, uma mistura de sentimentos que me entristece.
Recuso-me assim a ficar até ao fim da festa. É este o meu plano, é assim que nunca sei como as coisas acabam. Saio antes, no auge, quando o calor que sinto não dá mostras de arrefecer, quando sinto que tudo pode acontecer é aí que tudo me diz para desaparecer.
Ao fazê-lo, sinto-me para além do medo, da sorte, do azar, do amor, do tudo e do nada que pode acontecer no final de uma festa. Penso que ganho tudo em não saber o que perco, mas a curiosidade diz-me o contrário. Por isso continuo de festa em festa, tentando perder-me nas horas, só para dizer que não dei pelo tempo, só para saber o que se sente no final de uma festa. E assim acabam as festas para mim, muito antes de terem começado....

segunda-feira, dezembro 18, 2006

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Eu e tu

Andamos às volta tu e eu, eu e tu, nós e a vida. Tantas voltas demos que já não sei se sou eu que te persigo, se és tu quem me persegue ou se andamos apenas a fugir de nós mesmos.
Mas, sem saber explicar, sem saber porquê, sem nem sequer saber, continuamos nesta corrida sem meta. A sensação de que um dia vais parar alivia-me o cansaço, renova-me a esperança num minuto, apenas para a deixar morrer no próximo e ressuscitá-la logo a seguir.
Vivemos de forma tão intensa, que nem sabemos porque vivemos assim, sem pensar que bastaria um de nós parar para que a corrida chegasse ao fim, sem vencidos, sem vencedores, apenas nós, eu e tu, lado a lado, nem que fosse por um segundo, nem que fosse para sempre. Não sei e tu também não e por isso continuamos a correr, tu e eu, sem ter de olhar para trás, porque sabemos que enquanto vivermos a vida a correr, estaremos perto um do outro.
Fecho os olho e penso que um dia te vou apanhar. Tu cerras os teus e pensas que não me vais deixar fugir. E assim continuamos às voltas, sem saber se vamos a chegar ou se acabamos de partir...