Odeio o amor que tenho pelas palavras. E odeio-o tanto que chego a amá-lo também. É a suprema ironia que aquilo que mais me liberta seja também o que me amarra com mais força. Em cada palavra um sentido, dois se precisar de segurança, três para ter absoluta confiança. E que sentido faz ter sentidos, se tudo depende de uma palavra também, esperança.
Esperança é sonhar acordado, é ir além das palavras, esquecer o significado e agir, simplesmente agir sem palavras, nem sequer as de honra. As palavras certas serão apenas aquelas que faltam, essas sim as mais importantes que alguma vez serão ditas.
E aí, cada letra que já usei como carta para sustentar castelos de palavras em que habito, tão fortes na minha cabeça e tão frágeis na realidade, será apenas isso mesmo, uma letra, não uma metáfora, não um escudo, não uma ironia, nem sequer um gracejo. E será aí, defesas em baixo, venha o que vier, que direi sem quebrar o silêncio – Para ser eu próprio não preciso de palavras, preciso apenas de mim.
terça-feira, maio 29, 2007
domingo, maio 20, 2007
quarta-feira, maio 02, 2007
Rio-me à beira do rio
Há algo no rio que puxa por mim. Algo nas formas que se recortam ao longo das margens e me fazem navegar sem sair do lugar. Algo familiar que me leva rumo ao desconhecido mesmo de olhos fechados, através de cheiros e sensações que me fazem lembrar de tudo o que já passei e me fazem sonhar com aquilo que há de vir.
Nunca procuro respostas junto do rio. Procuro antes o pôr do sol, pois por muito efémero que seja, durará mais do que qualquer resposta que o rio tenha para mim. Porque ele não existe para responder, existe apenas para reflectir. E, se no seu reflexo vejo apenas sombras, porque não procurar a luz do momento, o brilho da promessa que me dá o pôr do sol.
E, quando ele se tiver posto, quando nada mais restar que a penumbra e a suave palidez do luar, as sombras vão desaparecer fundidas na escuridão do rio e só então lhe volto as costas, sorrindo sem que mais ninguém saiba porquê.
Posso nunca querer encontrar respostas, mas não me importo de perder as sombras.
Nunca procuro respostas junto do rio. Procuro antes o pôr do sol, pois por muito efémero que seja, durará mais do que qualquer resposta que o rio tenha para mim. Porque ele não existe para responder, existe apenas para reflectir. E, se no seu reflexo vejo apenas sombras, porque não procurar a luz do momento, o brilho da promessa que me dá o pôr do sol.
E, quando ele se tiver posto, quando nada mais restar que a penumbra e a suave palidez do luar, as sombras vão desaparecer fundidas na escuridão do rio e só então lhe volto as costas, sorrindo sem que mais ninguém saiba porquê.
Posso nunca querer encontrar respostas, mas não me importo de perder as sombras.
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