quarta-feira, janeiro 31, 2007

O toque

Da janela do quarto olho lá para fora. Olho na esperança de sentir. Sentir o teu toque nos meus ombros, de início suave, depois fazendo-me esquecer do que existe lá fora.
Mas, continuo a olhar, o toque não chega e tudo parece parado. Incapaz de me mover, vejo o dia passar a noite, o sol a acariciar a lua ao amanhecer e finalmente um toque que chega para me desentorpecer.
Não és tu, como poderias ser, é a realidade que me beija suavemente, dizendo-me que o que procuro cá dentro só irei encontrar lá fora. Sorrio, ainda com o gosto da realidade nos lábios e volto as costas à janela. E desço ao inferno para encontrar o caminho para o paraíso.

sábado, janeiro 27, 2007

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Vulgarmente especial

Vivo num bar, no teu bar. Um bar que não é na verdade teu, mas chamo-o assim porque és a razão de eu lá estar. Se fosses uma garrafa serias aquela, a especial, a que fascina por estar sempre fechada, por estar ali sempre à vista à distância de um sopro, mas sempre distante. Aquela que não é preciso saber como é a sua essência para desejar, mas ao mesmo tempo desejar conhecer a sua essência por puro prazer.

Mas se tu és uma garrafa eu sou um copo, um vulgar copo. Transparente, fácil de usar. Demasiado fácil. Sujeito às vontades de todos e tendo como sua uma única vontade, partilhar o teu sopro, a tua essência nem que seja por breves instantes. Acreditando que a sorte fará que o vulgar e o especial sejam por momentos um só, mesmo que depois nunca mais o voltem a ser. Porque mesmo que depois continue transparente e usado por todos, poderei partir em mil os fragmentos da minha existência vulgar, porque neles estará reflectido o que de mais especial há em ti.

domingo, janeiro 14, 2007

segunda-feira, janeiro 08, 2007

De que serve o paraíso?

Sempre que fecho os olhos, vejo a imagem desfocada do meu paraíso. Não sei porque lhe chamo meu, só se é dono de um sonho enquanto ele dura. Mas depois, quando abro os olhos vejo-te a ti. O caminho que percorro contigo não vai certamente dar ao paraíso, não sei sequer se vai dar a algum lado, mas quanto mais olho para ti, mais te quero ver quando tenho os olhos fechados.

Quem quer o paraíso, se não houver tentação? De que serve um sonho, se não houver uma realidade para a qual acordar? Que se lixem os sonhos se não puderes fazer parte deles

Quero dizer-te isto tudo, olhar-te nos olhos, fechar os meus e continuar a ver-te, é isso que eu quero. E para que isso aconteça, só me falta encontrar-te...

domingo, janeiro 07, 2007