Mostras-me o teu refúgio, uma ilha onde podes escapar de tudo aquilo que por vezes parece não ter fuga possível - a realidade. Embora pense que chegaste à conclusão que os sonhos existem para ser sonhados e a vida para ser vivida, sei que nada te impede de sonhar com a tua vida.
A água novamente. Sem saber se o que procuras está nela ou para além dela, sei que tens com ela uma relação especial. Procuras talvez o teu reflexo, não porque não saibas quem és, mas sim porque gostavas de saber se és tudo o que desejavas ser. Aviso-te, mas não me ouves, ela não te irá responder, só te contempla, mas tu aprecias o seu silêncio. Para ti é um sinal de compreensão.
Mais ao fundo, a tua ilha. Tão perto de tudo e ao mesmo tempo tão longe, tal como tu. Percebo a relação, mas não sei porque continuas a fugir para lá. É apenas uma ilha e tal como todas as ilhas, poucos são os que para lá vão definitivamente, tirando aqueles que lá nasceram e esses não conhecem outro lugar senão aquele. Deixa-a para trás, sabes bem que é isso que deves fazer.
Tu não pertences ali, queres o mundo e o mundo quer-te também. Por isso, vai à tua ilha só mais uma vez, despede-te dela e da água que a rodeia. Ela não te vai responder novamente. E, apesar desta vez quereres pelo menos obter um suave murmúrio de despedida como resposta, sabes que ela te compreende. E isso, é algo que não esperas da maior parte das pessoas...
segunda-feira, janeiro 16, 2006
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