Tudo se solta quando tu te soltas. Rapidamente a noite parece o dia, a lua parece o sol, nada fica como dantes. Tu não és a mesma, não és uma chama, não és um fogo, és um incêndio que se vê ao longe e quem o vê não o esquece.
Ris-te, com aquele riso próprio de quem sabe que as labaredas hipnotizam e todos os que te rodeiam parecem simples caracois, parados, incapazes de fugir desse feitiço, ficando reféns de algo que os vai consumir.
Nem todos se consomem e desaparecem, há quem sobreviva às mais difíceis provações para ter aquilo que quer e é alguém assim que procuras. Alguém que por trás da "casca" vai resistir ao que as asas de Ícaro não resistiram e vai chegar perto de ti, mais perto do que alguma vez alguém conseguiu chegar. e desafiar as tuas chamas.
Mas, tal como todos os caracois, há-de levar o seu tempo a chegar, mas tu não te preocupas, embora penses ansiosamente nesse momento. Confias no teu fogo, sabes que com ele deixas para trás os teus medos e todos aqueles que não conseguem resistir-lhe.
É esse o teu segredo e é essa a ironia. Usas o fogo para deslumbrar, mas só queres quem lhe saiba resistir.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
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1 comentário:
Como dizes, é este o nosso segredo e a nossa ironia.
Gostei muito do teu texto.
É, parece ser essa a nossa natureza.
A nossa cama e o nosso jazigo.
;)
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