quarta-feira, maio 02, 2007

Rio-me à beira do rio

Há algo no rio que puxa por mim. Algo nas formas que se recortam ao longo das margens e me fazem navegar sem sair do lugar. Algo familiar que me leva rumo ao desconhecido mesmo de olhos fechados, através de cheiros e sensações que me fazem lembrar de tudo o que já passei e me fazem sonhar com aquilo que há de vir.
Nunca procuro respostas junto do rio. Procuro antes o pôr do sol, pois por muito efémero que seja, durará mais do que qualquer resposta que o rio tenha para mim. Porque ele não existe para responder, existe apenas para reflectir. E, se no seu reflexo vejo apenas sombras, porque não procurar a luz do momento, o brilho da promessa que me dá o pôr do sol.
E, quando ele se tiver posto, quando nada mais restar que a penumbra e a suave palidez do luar, as sombras vão desaparecer fundidas na escuridão do rio e só então lhe volto as costas, sorrindo sem que mais ninguém saiba porquê.
Posso nunca querer encontrar respostas, mas não me importo de perder as sombras.

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