Não sei se sou borboleta ou luz. Sinto que giro e que tudo gira à minha volta, não caio, não me mexo, nada pára nem me deixam parar, como um carrossel em que um bilhete dura uma vida. O descontrolo mantém-me controlado e fixo o olhar no brilho que me ofusca, me seduz e me aquece, que me faz pensar em não pensar.
Não me preocupo, não paro e é giro que quanto mais giro, mais me sinto parado a olhar para o brilho que não se deixa apagar. Não o tento alcançar, porque o faria?, só me iria queimar, porque o brilho não foi feito para se agarrar, apenas para pôr um feitiço ao olhar.
Mas borboleta não serei e luz não sei, porque nunca me vi brilhar. Sorrio e continuo a olhar, porque o descontrolo tem tudo controlado e mesmo sem pensar tudo gira sem sair do lugar.
Não procuro conclusão, não vou deixar os olhos fechar, mas não procuro a razão do brilho, porque só no dia em que for luz é que o carrossel vai parar.
segunda-feira, abril 09, 2007
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