Sou refém das palavras que crio. Palavras que crescem e se voltam contra mim, segundos sentidos que matam primeiros, dúvidas que nunca têm um ponto final, questões que ficam penduradas por três pontos.
E conforme as minhas mãos deslizam no teclado, moldando frases e palavras, surgem expectativas e emoções que se cruzam entre a minha mente e os meus olhos e as mão continuam rápidas e ágeis, sem sair do teclado, mas sinto outras, mais fortes, de volta do meu pescoço.
Não é preciso inspirar metáforas para respirar palavras, mas é possível asfixiar com elas. E assim não digo as palavras que importam, porque tenho medo de sufocar, mas crio belas teias para fugir delas, onde acabo por me enredar. Por isso, amo as palavras num momento, só para de seguida as odiar.
E entre vírgulas e pontos, exclamações e interrogações, hipérboles que me reduzem e alegorias que transcedem sei apenas que para me salvar não bastam palavras, mas só com palavras a mim podes chegar.
E no teu silêncio leio palavras, porque só com palavras sei lidar e espero um gesto mudo, um que não exija resposta, para eu o poder aceitar.
segunda-feira, março 26, 2007
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