Olho em frente e salto. Mergulho, vou de braços abertos, não me preocupo. Sinto a água, sinto o meu corpo, não sinto o fundo, mas não me preocupo. Mesmo de olhos fechados, sei que ele está lá e sei que é aí que vai estar o que procuro.
Mergulho sim, mas não vou ao fundo. Conheço os contos de sereias e sei o que acontece a quem vai atrás do seu canto. Por isso, não vou ao fundo, fico a planar num vazio preenchido de água e espero que o fundo venha até mim.
Espero de mais? Talvez. Mas sou como as marés, vou e volto, mas nunca desisto. E tal como elas mudam o fundo por onde passam, é na mudança que reside a esperança. Essa é a verdade e tal como ela, tu também virás ao de cima.
No entanto, uma dúvida subsiste. E se na mudança eu fôr arrastado para o fundo, tu vais ficar à minha espera?
sexta-feira, março 03, 2006
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